A verdadeira origem da hashtag ‘Me Too’, usada no Twitter por mulheres que sofreram violência sexual

Após a série de denúncias contra o produtor Harvey Weinstein, acusado de abuso e violência sexual, a atriz Alyssa Milano convidou as mulheres a usarem as duas palavras nas redes sociais caso tenham passado por episódio semelhante. Mas a campanha não começou com ela.

A atriz Alyssa Milano incentivou as mulheres que já foram vítimas de abusos sexuais ao longo da vida a dar seu testemunho no Twitter usando a hashtag “Me Too”. A campanha teve início no sábado (14) após a série de denúncias contra o produtor Harvey Weinstein, acusado por dezenas de mulheres de abuso sexual e estupro.

Mas o movimento online não surgiu como ideia da atriz. A união das duas palavras surgiu há mais de 10 anos com a ativista Tarana Burke. “Isso não é sobre uma campanha viral para mim, é sobre um movimento”, disse Tarana em entrevista à CNN.

“O movimento começou em um profundo e sombrio lugar em minha alma”, afirmou a ativista, que comanda o projeto Girls for Gender Equity (Meninas pela Igualdade de Gênero), que tem como meta o empoderamento de jovens negras.

Burke conta em um texto que a semente do movimento MeToo foi plantada em 1996, quando ela era uma jovem diretora de acampamento. Após um dos encontros, uma garotinha pediu para falar com ela em particular.

“Nos sete minutos que se seguiram, esta criança… lutava para me dizer que seu padrasto, ou melhor, o namorado de sua mãe, estava fazendo todo tipo de monstruosidade com seu corpo em desenvolvimento. Eu estava horrorizada com suas palavras, as emoções brotaram dentro de mim, e eu ouvi tudo até literalmente não poder mais. (…) No meio do compartilhamento de sua dor comigo eu a interrompi e imediatamente a levei até outra conselheira que poderia ajudá-la melhor.”

Burke conta que nunca se esqueceu da expressão de sofrimento da garota. “O trauma, a dor da abertura de um ferimento que foi abruptamente forçado a se fechar de novo (…). E não pude ajudá-la a se libertar da sua vergonha ou mostrar que nada do que aconteceu com ela era culpa dela. Eu não encontrei forças para dizer em voz alta as palavras que estavam em minha cabeça enquanto ela sofria.”

“Eu assisti a ela caminhando comigo assim como ela tentava recuperar seus segredos e colocar de volta a seu esconderijo. Eu assisti a ela colocar de volta uma máscara e voltar para seu mundo como se estivesse sozinha e eu sequer tive coragem de sussurrar: ‘eu também’”, relata Burke, contanto a origem do movimento que ajuda jovens meninas negras que sobreviveram a violência, abuso e exploração sexual.

“Quando você passa por um trauma e encontra pessoas que tiveram experiências similares e mostra empatia um pelo outro, isso cria um laço”, contou Burke.

A ativista disse estar feliz por ver sua ideia ganhando ampla audiência. Desde o início da campanha no Twitter até terça-feira (18), a hashtag “Me too” já foi usada mais de 800 mil vezes. A atriz America Ferrera foi uma das que usou as palavras para relatar que foi abusada sexualmente quado tinha 9 anos.

Milano não está entre elas, mas a atriz explicou no Twitter que começou a pesquisa depois que uma amiga lhe deu a ideia para que “as pessoas tenham noção da magnitude do problema”.

A atriz Alyssa Milano posa com seu filho Milo Thomas em evento do filme 'Aviões' (Foto: John Sciulli/Getty Images/AFP)

A atriz Alyssa Milano posa com seu filho Milo Thomas em evento do filme ‘Aviões’ (Foto: John Sciulli/Getty Images/AFP)

 

Harvey Weinstein: acusações contra o diretor deram força ao movimento

Harvey Weinstein: acusações contra o diretor deram força ao movimento “me too” (Foto: Loic Venance/AFP)


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